Esse post vai ser um pouco diferente porque vai fugir um pouco de jeito que eu escrevo o blog. Como vocês que leem o blog sabem, eu estou sempre meses atrasadas nos acontecimentos, e no ultimo post ainda estou em abril, na Rússia... Normalmente eu só vou arquivando os posts e guardando as memórias mas hoje eu senti a necessidade de postar algo, porque apesar de eu não ser uma pessoa super fã de natal, natais longe de casa, sempre tocam mais a gente...
Ah, também quero pedir desculpas pelo mês fraco aqui no blog, eu estou a dois posts de acabar a minha passagem pela Rússia, e não consegui fazer isso esse mês, porque recebi visita aqui e agora teve toda a correria do Natal e foi uma loucura, mas prometo que vou correr com as coisas ate chegar nos dias de hoje, 24 de dezembro de 2015 em que eu estou escrevendo dos EUA, onde eu moro atualmente, vivendo meu primeiro natal americano e sem neve :( :( :( mesmo morando em um dos lugares mais frios dos EUA. Embora algumas pessoas que acompanham as minhas redes sociais já saibam, eu me mudei pra cá tem alguns meses e vou contar tudo no blog de acordo como os fatos foram acontecendo...
Natal... Natal pra mim sempre foi uma coisa triste, eu não sei explicar exatamente o porque, talvez por eu ser uma boba chorona, que vê dezembro como o mês das retrospectivas e ai já viu né?! Quando eu era criança o Natal era o dia mais feliz do ano, não só pelos presentes mas porque ainda eramos em 5+oscachorros e costumávamos ter um natal muito simples e cheio de amor (sim, costumávamos almoçar no dia 25 e não a ceiar no dia 24). Depois que eu cresci e comecei a trabalhar em TODOS os natais, a coisa perdeu um pouco o encanto e depois que o meu avô faleceu foi ficando cada vez menos com cara de festa, mas agora, depois de adulta, eu entendo o verdadeiro significado do Natal (o que não o deixa menos triste), que é o nascimento de jesus e entendo que o motivo de nos reunirmos em volta da mesa é na verdade para celebrar o amor, que existe ou deveria existir entre a família!
Ano passado eu estava em casa, pouco dias antes de ir pra Russia e foi mesmo muito bom ter minha pequena grande família de 3 pessoas+oscachorros comendo a mesma lasanha de sempre.
Hoje eu estou aqui, não to homesick, mas não to super hiper mega animada apesar de ter tido um natal tipicamente americano, com uma família que me recebeu de braços abertos sem nem ao menos me conhecer e que logo contarei com detalhes no blog.Eu to vendo pelo menos 90% dos meus amigos embarcados ou que estão perdidos por algum canto o mundo se lamentando por estarem longe da família e eu quero dizer que partilhamos do mesmo sentimento, mas pra mim, ele vem sem dor, porque embora eu gostaria muito de ter estado com eles e participado do nosso grande amigo secreto de 3 pessoas, eu tenho muito mais a agradecer que lamentar, já que estamos todos bem e com muita saudê.
Esse ano de 2015 foi um ano bem inesperado na minha vida. Essa coisa da Rússia, e agora aqui, nos eua, um namoro quase casório que eu nunca planejei acontecer, muitas viagens e conquistas, um curso terminado (isso é um milagre) e muitas muitas ideias para 2016, que terá direito a um tour pelo Brasil para ver/abraçar/beijar/apertar/cheirar todas as pessoas que eu amo muito e morro de saudades!
Para todos nós que estamos longe das nossas famílias, vamos dar um grande abraço virtual e celebrar acima de tudo a nossa coragem de enfrentarmos os nossos medos e sairmos da nossa zona de conforto para viver algo que definitivamente mesmo o que não tenha sido planejado por nós, de certo foi escrito por Deus!
Aqui deixo um texto da Ruth Manus que traduz um pouco do que sentimentos por estarmos longe:
"Estou, oficialmente, pedindo arrego. Tô precisando ver no relógio o fim do expediente. E ficar alheio, indisponível, ausente. Tô precisando do barulho do zíper fechando a mala. E de sala de embarque, conexão, escala. Tô precisando do peso da pálpebra fechando o olho. E ficar de boa, de cama, de molho. Tô precisando de cheiro de filtro solar. E ir pro sol, pro frio, pro bar. Tô precisando do som das tardes vazias. E olhar pro céu, pras noites, pros dias. Tô precisando ouvir música ruim. E de brigadeiro, tapioca, quindim. Tô precisando baixar a frequência. E me permitir deslizes, indisciplinas, imprudências. Tô precisando abraçar gente amada. E de exagero no churrasco, na cerveja, na feijoada. Tô precisando de outros cenários. E mudar de roupa, de eixo, de itinerário. Tô precisando de alguma calma. E lavar o carro, o rosto, a alma. Tô precisando (logo) do fim do mês. E me desligar de tudo, de novo, de vez. Tô precisando da noite de 24. E encher a taça, o saco do primo, o centro do prato. Tô precisando da noite de 31. E atentar para meu melhor compromisso: nenhum." Feliz Natal e um Ano Novo maravilhoso e cheio de realizações para todos vocês, que a vida lhes sorria mais e mais e que tudo que esta fora do lugar vá aos poucos se ajeitando! Um beijo e God bless you all <3

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