Moscou-Rússia, abril de 2015
Em meados de abril, quando o sol já brilhava forte na minha janela todos os dias de manhã e o dia se fazia bem mais longo que a noite, a neve veio me dar tchau.
Com essas mudanças drásticas de clima, eu chego a conclusão de que tudo isso é um cenário montado que troca durante a noite enquanto todos os moradores de Moscou ainda estão em sono profundo. A produção vem, tira toda a grama verde e coloca no lugar um tapete branco e gelado.
Bom, é verdade, eu acho que já tive neve suficiente para uma primeira vez e sim, eu fiquei muito, muito feliz em sentir meu corpo aquecido naturalmente mas, a poucos dias de ir para o Brasil, foi bem legal ver tudo branquinho outra vez, por que né, vai saber quando vou ver isso de novo?!
Para o nosso ultimo fim de semana eu gostaria muito de dizer que esta sendo feliz e que estou aproveitando de forma positiva cada momento, mas não. Estou com um imenso ponto de interrogação na minha cabeça e uma agoniante confusão mental. Quero ir, ver minha família, meus cachorros, meus amigos. Ahhh, meus cachorros, vocês sabem, tem uma delas que toda vez que eu começo a fazer as malas, começa a me olhar de um jeito diferente, e quando eu me despeço, eu vejo o olhar mais triste do mundo, quase como se eu à estivesse traindo, e segundo minha mãe, ela fica por meses na porta do meu quarto todas as manhãs esperando para dormir comigo ate 12:00 como nós costumamos fazer quando eu estou em casa. Eu quero voltar pra tudo isso, mas eu quero ficar aqui, quero ver a primavera virar verão e o verão ganhar cores de outono... Eu quero ficar com ele, o cara que me fez ir de um canto ao outro do mundo atras de algo e alguém que eu não tinha a menor certeza.
Bem, eu ainda não tenho certeza. Nunca vou ter, definitivamente. Mas eu sinto que estou preenchendo minha vida de verdades em meio a todas essas minhas incertezas. Verdades sobre o dia em que ele estava mesmo me esperando no aeroporto (eu duvidei ate o ultimo momento), verdade sobre meu primeiro -22 graus com um casaquinho meia boca do Brasil, verdade sobre os dias de pé congelado, verdade sobre o pastel com coca NA RÚSSIA só porque eu estava homesick, verdades sobre dias de alegria só porque o sol brilhou ate mais tarde, porque o omelete não quebrou ou meu arroz não queimou. As minhas verdades são minhas pequenas grandes historias, digo, a historia da minha vida, que embora tenha começado a 21 anos atras, eu sinto que a vivo a apenas 4; do dia que eu me aproximei da minha família que eu não tinha contato a muitos anos, do dia em que eu decidi fazer aquele curso de comissária, perdi meu avo pra uma doença que nós nunca saberemos qual foi e eu senti a dor mais profunda que alguém é capaz de sentir, no dia que eu pisei naquele navio e vi que tudo, exatamente tudo é possível, desde que você trabalhe duro e mantenha o foco nas coisas boas, no dia que eu conheci um cara que embora eu duvidasse, me amou desde o "aplicativo" e me ensinou que relacionamento de verdade tem a ver com felicidade e não dor. Daquele dia até o dia de hoje, em que eu estou prestes a começar a arrumar as malas e dizer um "Até logo" que provavelmente levara meses para se tornar um "Que bom ver você de novo".
Desse dia em diante eu vou continuar escrevendo historias para a minha vida, embora não tenha a menor ideia de que rumo ela vai ter, mas sabe o que eu vim pensando esses dias? Isso já faz parte de nós, nós que eu digo somos as pessoas que pelo menos uma única vez na vida nos demos o luxo de morrer de amores, por alguém, por algum lugar ou por alguma coisa. Nós nunca saberemos ao certo aonde nossos amores podem nos levar, eu que o diga, vim parar no pais da vodka e tambem o mais frio do mundo. Nós, pessoas que, fugimos por algum motivo do normal e formamos juntas um grande quebra cabeça, que na nossa imaginação, sempre faltara uma peça, e é ai que a beleza da vida acontece, ao entendermos que é possível sermos felizes mesmo sem nunca estarmos completos, porque a felicidade não é um objetivo, é um acontecimento, um estado de espirito, e essa peça que falta no nosso jogo é o que nós motiva a querer sempre algo a mais, seja mais um por do sol na Grécia ou um maravilhoso jantar em família e amigos.
Que venham novos tempos e novas historias e que esse causo nada comum de amor que eu deixo aqui tome o rumo que tiver que tomar, sobreviva a distancia se tiver que sobreviver e me de muitos mais dias de risos e despedidas dolorosas nos aeroportos e portos desse mundão já que na minha opinião, essa parte faz a nossa historia muito mais bonita <3
Ah, ainda falando em amor, como ir embora e não ir ao lugar que eu mais amo nessa cidade? ARBAT! Sim, uma rua com nada em especial, nenhum monumento, igreja, mall, mas uma avalanche de energias positivas que transbordam no meu coração cada vez que lembro da nossa primeira vez, vai entender... O amor é assim, simplesmente acontece! (Tô melosa hoje, blááá)
Foi um bonito ultimo fim de semana. Ainda tenho mais 4 dias, provavelmente eu ainda vá para a praça vermelha ou sei lá, talvez eu só fique em casa tentando fechar a minha mala, o que é mais provável... Se eu falei um monte de besteira me perdoem, eu fico péssima em épocas de despedidas, parece que tudo resolve vir a tona na minha cabeça e a melhor forma de lidar com isso é escrevendo, mas sentimentos são sentimentos e nem sempre são claros o bastante para serem entendidos!
Em baixo minhas muitas fotos, mas caso não queira ver, o post acaba aqui ok? Um beijo!

Пока Пока









A Vida é muito louca para quem decide não Viver uma Vida "normal". Mas é uma loucura Tao Bonita!!
ResponderExcluirE depois que voce prova dessa loucura, fica difícil ou quase impossível voltar atras! Cheers <3
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