Grayslake-IL, maio de 2016
Para o post de numero 100 da minha AMERICAN LIFE, eu queria escrever sobre algo importante, então lembrei que a tempos estou para fazer um comparativo sobre a minha vida dos EUA com minha vida no navio, e agora, depois de 10 meses aqui acho que posso falar com um pouco mais de precisão sobre o assunto, sem ser influenciada por saudades e outras coisas.
Para o post de numero 100 da minha AMERICAN LIFE, eu queria escrever sobre algo importante, então lembrei que a tempos estou para fazer um comparativo sobre a minha vida dos EUA com minha vida no navio, e agora, depois de 10 meses aqui acho que posso falar com um pouco mais de precisão sobre o assunto, sem ser influenciada por saudades e outras coisas.
Resumão:
Embarquei no Costa Fascinosa no dia 08 de fevereiro de 2014 onde trabalhei em cruzeiros pela Europa e Brasil. Desembarquei e em alguns meses depois me mudei para a Rússia. Em seguida me mudei para os EUA, onde trabalho atualmente como Au Pair.
Esses eram os meus dois maiores objetivos de vida e que alegria estar aqui dizendo que EU CONSEGUI!!! Eu quis tanto morar aqui, planejei tanto, sonhei tanto, imaginei como seria viver na neve (sempre quis lugar com neve), eu era tão paranoica com isso que até o que eu ia pensar no voo pra cá já estava "planejado" na minha cabeça. Sobre o navio também não foram poucas as vezes em que eu virei noite me preparando para o que estava por vir (sem nem ter uma estimativa de quando). A minha única preocupação era: 8 meses sem folga? Será?! E eu fui trabalhando meu psicológico para aquilo, me informando sobre tudo que fosse possível, até as girias que são usadas a bordo eu já sabia quando cheguei, e talvez por isso eu tenha tido uma experiência tão incrível, em ambas as coisas. As coisas não aconteceram no momento em que eu planejei, no meu plano ideal era primeiro EUA e depois navio, mas foi ao contrario, e foi perfeito no tempo que tinha que ser, tirando o fato de ter quase ficado louca nessa transição entre um e outro.
Acontece que quando eu sai do navio meu plano era voltar o mais rápido possível, mas as coisas foram acontecendo e havia chego a hora de realizar meu outro grande sonho e perder de vez aquele inglês de índio. Cheguei aqui dia 03 de agosto de 2015 e por três longos meses eu desejei intensamente não ter vindo e ter voltado para o navio que tanto me fez feliz. Resolvi dar tempo ao tempo e descobri um outro tipo de vida, tão atraente quanto minha antiga vida de tripulante, com prós e contras super fortes que hoje me deixam aqui cantando o famoso "Não sei se vou ou se fico, não sei se fico ou se vou..."
10 meses depois eu consigo ver tudo com uma clareza que eu não via no começo então vou deixar a minha opinião aqui sobre as duas coisas, e se você estiver muito um pouco dividida assim como eu, talvez ajude.
Devemos começar do principio de que a ÚNICA coisa que trabalhar em navio e ser Au Pair tem tem comum é que os dois te levam para fora do país, do contrario, são universos totalmente diferente.
1- APRENDER INGLÊS.
Você não vai trabalhar a bordo para aprender inglês. Sim, isso pode acontecer com o tempo uma vez que lá todo mundo usa o inglês para se comunicar, mas são pouquíssimas as pessoas no navio que realmente falam inglês. Isso porque existem MUITAS nacionalidades a bordo e o inglês representa a união entre os povos, então criou-se um inglês próprio do navio, sem tempos verbais, com muitas expressões diferentes e um sotaque MUITO característico, digamos assim. Segundo porque você esta lá PARA TRABALHAR então seu chefe não vai -no dia a dia- falar devagar, te ensinar vocabulário, te corrigir. As coisas são rápidas, falar certo é o de menos. E claro, trabalhar em navio não envolve nenhum curso de idiomas (sim, algumas pessoas pensam que sim).
Você não vai trabalhar a bordo para aprender inglês. Sim, isso pode acontecer com o tempo uma vez que lá todo mundo usa o inglês para se comunicar, mas são pouquíssimas as pessoas no navio que realmente falam inglês. Isso porque existem MUITAS nacionalidades a bordo e o inglês representa a união entre os povos, então criou-se um inglês próprio do navio, sem tempos verbais, com muitas expressões diferentes e um sotaque MUITO característico, digamos assim. Segundo porque você esta lá PARA TRABALHAR então seu chefe não vai -no dia a dia- falar devagar, te ensinar vocabulário, te corrigir. As coisas são rápidas, falar certo é o de menos. E claro, trabalhar em navio não envolve nenhum curso de idiomas (sim, algumas pessoas pensam que sim).
Já como Au Pair o foco principal das pessoas é o inglês (embora não seja o que a agencia vende para as famílias) 90% das meninas vem para aprender inglês e faz parte do programa uma bolsa de estudos miserável de 500 dólares NO ANO que não da pra nada, mas aí cabe a você pagar a mais pra estudar, ou encontrar outros meios. Plus, você convive com americanos, ouve inglês todos os dias e isso facilita muito as coisas. Digo "facilita" e não "resolve" porque só estar aqui também sem esforço não faz ninguém fluente em inglês ou no idioma do pais em que esta vivendo.
2- SE SENTIR EM CASA/ FAMÍLIA
No navio você vai encontrar pessoas de todo tipo e não espere ser bem cuidado/tratado pelos seus chefes, você embarca para trabalhar e isso é o que eles esperam de você, o tempo todo. No entanto, você vai fazer amigos do mundo todo, e esses amigos se tornam família, com laços muito muito fortes, que muitas vezes vão acabar em um dia de desembarque na gangway, mas outras vezes vão durar para a vida toda. A bordo tem varias coisinhas legais, mas eu sempre digo que o melhor de tudo é aprender com as pessoas, boas e ruins, e se tornar um melhor filho, melhor amigo, melhor ser humano.
Como Au Pair, "ser parte da família" é vendido junto com o pacote, mas na pratica pode ser MUITO diferente disso. Você mora com uma família que em muitos casos te trata como parte da família e faz com você se sinta em casa, já em outros, você será a mão de obra barata exportada de outro pais para cuidar dos filhos deles todas as horas que forem possíveis. Essa coisa de ser "parte da família" também é complicado, porque se você é parte da família tem obrigações como membro da família, o problema é que isso deveria ser reciproco e muitas vezes não é. Eu não tenho nada a reclamar, minha host family é maravilhosa e nós temos uma perfeita sintonia entre me deixar a vontade para ser parte da família e participar de tudo e me deixarem free para me trancar no meu quarto quando não estou afim de socializar. Já ouvi historias de famílias que exigiam que a Au Pair almoçasse em casa aos domingos, quando esta off e coisas do tipo, porque afinal de contas, é parte da família, mas as vezes, não é que não gostamos deles mas só que estar rodeado de criança o tempo todo, falando inglês o tempo todo (principalmente no começo) cansa MUITO... Sobre amigos, também vai conhecer gente do mundo todo, mas no navio acho que a conexão é maior, uma vez que literalmente estão todos no mesmo barco.
3- INDEPENDÊNCIA E PRIVACIDADE
Ainda meio que relacionado ao tópico anterior, no navio você é dono do seu próprio nariz, toma as suas decisões e a SUA ÚNICA OBRIGAÇÃO É TRABALHAR, sim, trabalhar muito, muito, pra caramba mesmo, mas nada além disso. Sim, tem um chefe chato te mandando fazer coisas, mas no seu tempo off, seja ele pouco ou muito você escolhe o que quer fazer, dormir ou bater perna fora do navio, tanto faz, você decide. Bom, isso se o navio estiver atracado, porque embora eu ame essa vida de mar, chega um momento, depois de alguns meses a bordo, durante uma travessia de muitos dias de mar, que bate um desespero na gente e ai você olha ao redor e SÓ TEM AGUA.

Não tem pra onde fugir, pra onde correr, e não tem NENHUM lugar em que você possa se isolar do mundo e ficar sozinha com os seus pensamentos, uma vez que voce está no mesmo barco que outros 1500 tripulantes e divide um cubículo chamado de cabine com outra pessoa. Me lembro que tinha dias em que eu sentia vontade de colocar o navio no MUTE, aquele tanto de gente indo e vindo a todo momento, em todos os lugares, eu me esqueci o som do silencio. Até na minha cabine, onde eu morava com uma amiga, uma vez entraram para concertar o banheiro enquanto eu estava dormindo. Então sim, você é dono do seu nariz, mas só pode leva-lo onde o itinerário do navio permitir, e caso você não esteja trabalhando.
Assim como quase tudo nesse universo auperiano, isso depende da sua host family, eu me sinto free para ir e vir a hora que eu quiser, mas muitas meninas tem cuefew, que nada mais é que o toque de recolher durante a semana e as vezes até nos finais de semana. Algumas famílias dão carro pra au pair mas colocam um horário para o carro estar de volta em casa ou até onde a Au Pair pode ir com ele (e as vezes é só ate ali na esquina). Você não mora na sua casa, então é muito difícil se sentir totalmente confortável para cozinhar, abrir a geladeira, sentar na sala pra ver TV, essas coisas que a gente faz na casa da gente. Embora no navio a privacidade seja menor, a sua cabine é sua cabine, e aqui o seu quarto vai ser sempre a casa da host family. Também não esta na sua casa para receber pessoas sem pedir autorização (acho isso super ok) e sempre avisar onde vai, as vezes até com quem vai e em casos extremos quem é o date da vez. Eu não tenho que dar satisfações desde que esteja ali up to work no dia seguinte mas sempre faço isso pelo bom senso, mas vejo que para algumas meninas isso é um problema, quase como uma algema.
No entanto como au pair, 99% das meninas tem um quarto só pra si e eu confesso que estranhei não ter roommate no começo mas hoje ter meu espaço é vida, onde eu durmo o dia inteiro se quiser, acendo a luz, vejo TV, limpo quando quero e a hora que quero, e no navio não, ali tem um outro serumaninho que as vezes tem um horário diferente do seu e dorme enquanto você esta no break, então são maiores cuidados a serem tomado.
Agora, uma coisa é certa, eu passei a apreciar a minha vida aqui no dia que eu dirigi para longe e sem destino pela primeira vez. Não sei explicar a sensação. Eu só fui, liguei a musica alta, entrei em uma highway e fui até uma praia que fica a algumas horas de casa, só eu, meus pensamento e Deus sem hora pra voltar. Faço isso constantemente quando preciso de um tempo comigo mesma e é a maior sensação de independência e liberdade. No navio as vezes da pra ir pra bem longe, mas sempre vai ter um crew por perto não importa onde você va.
4- O TRABALHO
No navio isso varia de acordo com o seu departamento mas no geral sempre se trabalha muito, 11 ou mais horas diárias, por 8-9 meses sem NENHUM dia de folga. NÃO E FÁCIL, alias, foi a coisa mais difícil que já fiz na vida, trabalhar doente, com muita dor no pé, com problemas em terra, com um chefe insuportável te dando ordens idiotas. Foi o meu maior desafio e eu te digo com toda certeza, mesmo que você já tenha tido um trabalho super HARD em terra, NADA se compara ao que é o trabalho a bordo. AQUELA NAVE NUNCA PARA e você é pago para acompanhar o ritmo.
No mundo auperiano, salvo os casos de exploração por parte da host family, o trabalho se baseia em cuidar de crianças e tudo que é relacionado a elas, o que acredite em mim, pode ser tão difícil quanto o navio. Trabalhar com criança por si só não é fácil, mas ali tem um adendo chamado: Pais, que são de uma cultura diferente, que educam de uma forma diferente da nossa, que podem ser um aliado para tornar o trabalho mais fácil mas podem ser responsáveis por fazer da sua vida um inferno. Em alguns casos a criança pode ser uma little monster também...
Nos dois ambiente lida-se com pessoas, o que nunca é fácil, mas pelo menos como au pair existem alguns dias de folga.
Concluindo, dando sorte de estar em uma família boa, com schedule bom, como au pair pode ser mais fácil (como é o meu caso), mas acredito que os dois podem ser estressantes e pesado do mesmo jeito. 10 horas com criança não é facil não...
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No navio você vai encontrar pessoas de todo tipo e não espere ser bem cuidado/tratado pelos seus chefes, você embarca para trabalhar e isso é o que eles esperam de você, o tempo todo. No entanto, você vai fazer amigos do mundo todo, e esses amigos se tornam família, com laços muito muito fortes, que muitas vezes vão acabar em um dia de desembarque na gangway, mas outras vezes vão durar para a vida toda. A bordo tem varias coisinhas legais, mas eu sempre digo que o melhor de tudo é aprender com as pessoas, boas e ruins, e se tornar um melhor filho, melhor amigo, melhor ser humano.
Como Au Pair, "ser parte da família" é vendido junto com o pacote, mas na pratica pode ser MUITO diferente disso. Você mora com uma família que em muitos casos te trata como parte da família e faz com você se sinta em casa, já em outros, você será a mão de obra barata exportada de outro pais para cuidar dos filhos deles todas as horas que forem possíveis. Essa coisa de ser "parte da família" também é complicado, porque se você é parte da família tem obrigações como membro da família, o problema é que isso deveria ser reciproco e muitas vezes não é. Eu não tenho nada a reclamar, minha host family é maravilhosa e nós temos uma perfeita sintonia entre me deixar a vontade para ser parte da família e participar de tudo e me deixarem free para me trancar no meu quarto quando não estou afim de socializar. Já ouvi historias de famílias que exigiam que a Au Pair almoçasse em casa aos domingos, quando esta off e coisas do tipo, porque afinal de contas, é parte da família, mas as vezes, não é que não gostamos deles mas só que estar rodeado de criança o tempo todo, falando inglês o tempo todo (principalmente no começo) cansa MUITO... Sobre amigos, também vai conhecer gente do mundo todo, mas no navio acho que a conexão é maior, uma vez que literalmente estão todos no mesmo barco.
3- INDEPENDÊNCIA E PRIVACIDADE
Ainda meio que relacionado ao tópico anterior, no navio você é dono do seu próprio nariz, toma as suas decisões e a SUA ÚNICA OBRIGAÇÃO É TRABALHAR, sim, trabalhar muito, muito, pra caramba mesmo, mas nada além disso. Sim, tem um chefe chato te mandando fazer coisas, mas no seu tempo off, seja ele pouco ou muito você escolhe o que quer fazer, dormir ou bater perna fora do navio, tanto faz, você decide. Bom, isso se o navio estiver atracado, porque embora eu ame essa vida de mar, chega um momento, depois de alguns meses a bordo, durante uma travessia de muitos dias de mar, que bate um desespero na gente e ai você olha ao redor e SÓ TEM AGUA.

Não tem pra onde fugir, pra onde correr, e não tem NENHUM lugar em que você possa se isolar do mundo e ficar sozinha com os seus pensamentos, uma vez que voce está no mesmo barco que outros 1500 tripulantes e divide um cubículo chamado de cabine com outra pessoa. Me lembro que tinha dias em que eu sentia vontade de colocar o navio no MUTE, aquele tanto de gente indo e vindo a todo momento, em todos os lugares, eu me esqueci o som do silencio. Até na minha cabine, onde eu morava com uma amiga, uma vez entraram para concertar o banheiro enquanto eu estava dormindo. Então sim, você é dono do seu nariz, mas só pode leva-lo onde o itinerário do navio permitir, e caso você não esteja trabalhando.
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| Essa é a cabine, só isso. |
No entanto como au pair, 99% das meninas tem um quarto só pra si e eu confesso que estranhei não ter roommate no começo mas hoje ter meu espaço é vida, onde eu durmo o dia inteiro se quiser, acendo a luz, vejo TV, limpo quando quero e a hora que quero, e no navio não, ali tem um outro serumaninho que as vezes tem um horário diferente do seu e dorme enquanto você esta no break, então são maiores cuidados a serem tomado.
Agora, uma coisa é certa, eu passei a apreciar a minha vida aqui no dia que eu dirigi para longe e sem destino pela primeira vez. Não sei explicar a sensação. Eu só fui, liguei a musica alta, entrei em uma highway e fui até uma praia que fica a algumas horas de casa, só eu, meus pensamento e Deus sem hora pra voltar. Faço isso constantemente quando preciso de um tempo comigo mesma e é a maior sensação de independência e liberdade. No navio as vezes da pra ir pra bem longe, mas sempre vai ter um crew por perto não importa onde você va.
4- O TRABALHO
No navio isso varia de acordo com o seu departamento mas no geral sempre se trabalha muito, 11 ou mais horas diárias, por 8-9 meses sem NENHUM dia de folga. NÃO E FÁCIL, alias, foi a coisa mais difícil que já fiz na vida, trabalhar doente, com muita dor no pé, com problemas em terra, com um chefe insuportável te dando ordens idiotas. Foi o meu maior desafio e eu te digo com toda certeza, mesmo que você já tenha tido um trabalho super HARD em terra, NADA se compara ao que é o trabalho a bordo. AQUELA NAVE NUNCA PARA e você é pago para acompanhar o ritmo.
No mundo auperiano, salvo os casos de exploração por parte da host family, o trabalho se baseia em cuidar de crianças e tudo que é relacionado a elas, o que acredite em mim, pode ser tão difícil quanto o navio. Trabalhar com criança por si só não é fácil, mas ali tem um adendo chamado: Pais, que são de uma cultura diferente, que educam de uma forma diferente da nossa, que podem ser um aliado para tornar o trabalho mais fácil mas podem ser responsáveis por fazer da sua vida um inferno. Em alguns casos a criança pode ser uma little monster também...
Nos dois ambiente lida-se com pessoas, o que nunca é fácil, mas pelo menos como au pair existem alguns dias de folga.
Concluindo, dando sorte de estar em uma família boa, com schedule bom, como au pair pode ser mais fácil (como é o meu caso), mas acredito que os dois podem ser estressantes e pesado do mesmo jeito. 10 horas com criança não é facil não...
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| Como minha vida de au pair não é tão difícil, usei minha amiga Suelén de exemplo, acho que não existe melhor representação que essa, by the way eles são lindos né?! <3 |
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