Moscou-Rússia, abril de 2014
Malas fechadas, me despedi da minha cunhada que estava passando a semana na casa do Anton e pronto, hora de ir pro aeroporto.
Já sai chorando, eu sou muito dramática, as vezes me da ate nojo dessa melação toda, mas não consigo controlar. Antes de sair tem que "sentar". Isso, superstição russa, antes de viajar tem que ficar um pouco sentado, pra poder viajar em segurança, então na foto ta ai, a gente "sentando".No caminho fomos cantando igual fazíamos nas viagens, prometi que não ia chorar mais porque né, não era um Adeus como foi da outra vez.
3 malas de 11, 16 e 30 kilos. Sim, totalmente desiguais porque duas delas são muito pequenas, uma é do Anton, que eu to levando embora, e a outra é carry on. Estranho na minha cabeça pensar que a mala de mão que vai dentro do avião possa ter 16 kilos, ate porque alguém vai ter que colocar ela no bim e com 16 kilos com certeza não seria eu. Eu liguei pedindo informação sobre os limites de bagagem e ninguém sabia dizer ao certo.
Chegamos uma hora antes, e adivinhem? foi só passar pela entrada do aeroporto pra quebrar a promessa séria de não-choro. Fui pro check in como se o fim do mundo estivesse perto. Eu estava chorando tanto que mal conseguia falar com a moça do check in enquanto pesava minhas malas e tentava perguntar sobre o peso da carry on (devia ter ficado quieta, mas no fim foi bom) e a moça com uma cara de pena me disse que aquela mala, gorda daquele jeito não caberia no bim do avião e que a de 30 kilos estava passando 7 kilos acima do permitido e se eu tinha como equilibrar o peso entre as outras, mãs nas outras, não tinha espaço para colocar uma agulha. E eu? Chorei mais ainda, mas na verdade, eu estava chorando por causa do Anton, e mal ouvindo o que ela estava dizendo sobre as malas,e ela num gesto de piedade me perguntou se eu queria despachar a minha terceira mala FOR FREE. Isso mesmo, tudo de gratis!!!!Só de não pagar nada pelo excesso da bagagem e de não ter que me preocupar com mala nenhuma ate chegar no Brasil já é pra erguei as mãos e dai gloria a Deus! Aceitei sem nem questionar e la foi as minhas tres malas rodando pela esteira, quando eu me dei conta que: A minha "carry on" estava sem cadeado.
Sim, eu sei que se eles quiserem conseguem abrir qualquer tipo de tranca, mas pra mim, minha mala viajando ate o outro lado do mundo sem cadeado era uma coisa inédita e muito doida.
Tudo que eu precisava (celular, carregador e passaporte) estava bolsa, mas os meus últimos 50 reais estavam na carry on sem cadeado que tinha acabado de desaparecer entre as malas. Tudo bem que era real, mas vai saber né. Oremos porque se esse dinheiro some eu viro a mais nova sem teto de São Paulo.
Me despedir do Anton foi muito estranho. Foi menos triste que da ultima vez, porque antes era mesmo um Adeus, e agora é um até logo, mesmo que eu não saiba quando vai ser esse "logo", porem agora é muito mais dolorido, porque hoje eu sei que eu quero muito e de verdade ele na minha vida. Hoje eu sei que ele foi sem duvida uma das melhores pessoas que cruzaram o meu caminho e ficam sem ele que acima de tudo é meu melhor amigo é muito inimaginável. Ahh, e eu vou voltar pra minha família, todo mundo me enchendo de coisas, cozinhando pra mim, e meus cachorros e minha vida, e ele vai ficar na Rússia, naquele apartamento gigante, tendo que comer a própria comida (coitado kk) e a 10 horas de distancia da família dele. Fico triste por ele, por mim, pela gente.
Perto do segurança, pronta para passar pelo raio X, nós demos o "ultimo beijo" e dissemos "eu te amo" e "até logo". Eu testei aquela coisa que a gente vê nos filmes de: Vai e não olha pra trás!. E deu relativamente certo, depois de um abraço apertado eu segui reto e passei pelo primeiro segurança, pra dai sim olhar pra trás e ver ele paradinho lá no fundo me olhando com o celular na mão tirando uma foto:( Senti meu coração se estraçalhando em um milhão de pedaços.
Chorei chorei chorei e ai entrei nesse aviãozão e passou quando vi que mais uma vez dei a sorte de cair na janela. Sério, tenho muita sorte com isso! Eu não escolho acento porque sempre é pago nesses voos internacionais, mas sempre pego janela. Só espero que no próximo voo seja janela também!:D
Ahhh, quando eu chegar no Brasil, irei pra casa de um amigo, o Cleber. Contei pra ele todo o meu drama (pobreza) e que ia passar a noite no aeroporto e ele me ofereceu a casa dele. <3 Ele e a família dele são tão bons na minha vida que eu nem sei como agradecer! Um amigo do navio que de certo eu vou levar pra vida! Vou dormir la e depois vou pegar o ônibus pra casa, ver minha família linda!
Ah, esse post eu tô escrevendo do meu primeiro voo. Depois que eu chegar vou fazer um contando como foi esse, o voo da Espanha para o Brasil e a chegada em casa!
Aqui a nossa primeira tentativa de arrumar as malas e o vídeo até finalmente dar certo:
Пока Пока





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