Chicago, Abril de 2017
Passei a noite que antecedeu treinando de arrumar as malas que passaram horrores do peso. Eu não tinha balança, mas pelo simples fato de ninguém conseguir tira-las do chão já dizia algo. Mesmo assim insisti em não deixar nada de "importante" para trás...
Era um voo no final da tarde mas sai bem cedo de casa para evitar qualquer problema e também para ter tempo de reorganizar a mala no aeroporto caso eu precisasse. Ao mesmo tempo em que eu estava super emotiva em deixar Chicago para trás, eu só queria entrar logo naquele avião e me desfazer um pouco daquelas malas que tinham anos de coisas acumuladas dentro...
Cheguei no aeroporto achando que elas passariam um pouco do peso, mas para a minha surpresa (ou não) eu sou muito boa em equilibrar peso!!! Duas tinham 37 quilos cada sendo que deveria ser 32. A de mão tinha 17 quilos, a mochila 10 e a mala extra tinha 31.
Entrei num desespero momentâneo, mas como eu ainda tinha umas 5 horas para decidir o que fazer, fui tomar um cafe com os meus 132 quilos de bagagem.
Dali eu abri a mala no meio do aeroporto mesmo e comecei a procurar coisas que eu pudesse jogar fora, mas serio não tinha nada! Ate tinha umas roupas que eu não usava, mas que dó de jogar fora coisas que eu poderia dar pra minha mãe ou para alguém, ou vender... Ai eu tive que apelar para tradicional, vestir o máximo de roupas que desse..
Vale ressaltar que o look que eu havia escolhido para viajar era meu moletom super confortável e BRANCO, que depois de rolar no chão do aeroporto tentando por são paulo dentro de serra negra, ficou sujo e nojento, alem de que eu também estava começando a suar de nervoso mas na verdade ia suar pra valer a seguir, quando eu tive que vestir 2 moletons e dois casacos de neve (um desses mais leves e um pesadão). Coloquei também cinco calças leggings+ uma calça de moletom, 4 pares de meia e a minha bota de neve + meu tradicional boné dos CUBS. E assim as minhas malas com muitos ajustes entraram no peso certo e eu consegui despachar.
Entrei no primeiro avião que era um bem pequeninho onde todo mundo fica bem espremido com destino a ORLANDO. Ahhh é, tem aquilo né, nesta época do ano em Chicago ainda esta friozinho, mas em Orlando já é calor e claro que eu era a única de botas de neve. Dentro do voo eu tirei a calça de moletom e um casaco e com o casaco fiz uma "mochila" e enfiei as meias e o laptop dentro, o que aliviou pelo menos o peso nas costas..
Já em orlando quebrou o zíper de uma das minhas malas de mão e eu estava exausta da viagem que mal tinha começado... Outra coisa que eu percebi é que orlando é quase Brasil né? Socorro quanto brasileiro naquele aeroporto, fiquei confusa, a gente desacostuma de ouvir português assim...
Na hora de passar pela segurança, ainda com muitas roupas e a minha bota de neve, o security me interrogando sobre o que eu estava escondendo por baixo de tantas roupas. "Onde você está indo, para o Alasca?" "Não, Brasil" . O voo sentada no meio de duas japonesas que não falavam um nada de inglês mas em compensação botaram em dia o papo em japonês! 🙄 Um piloto rapidinho que fez o voo em uma hora menos que o previsto e foi assim, num voo turbulento, MORRENDO de calor, suja e com as costas arreadas que eu cheguei em SP!!
Já em São Paulo, outro baile foi passar pela receita com TODAS as minhas coisas. Me pararam e eu tive que colocar as malas no raio x e abri uma delas e dali ir para a rodoviária, pegar um ônibus para minha cidade...
Chegar em casa foi uma sensação de alivio imensa. Não porque eu estivesse morrendo de saudades da vida aqui, mas foi muito bom rever a família e principalmente os 5 doguinhos que haviam acabado de nascer, especialmente um que eu mal conheço e já considero pra caramba, um bebe branquinho e peludo que mais parece um mini terrorista mesmo com seu pouco tempo de vida que vai fazer mais colorido esse meu tempo no brasil.
Dai foi isso, por aqui acabo POR ENQUANTO, a minha vida dos EUA, que não foi o que eu esperei em muitos sentidos, mas foi melhor e mais bonita que eu pude nos meus sonhos mais doidos, imaginar...
Lembro de mim, ainda menina, sonhando com o famoso sonho americano, eu queria poder ir la atras e dar um conselho para o meu eu de 17 anos que muitas vezes hesitou por medo, queria deixar claro que essa talvez seja uma das únicas vezes em que a realidade ganhou da expectativa.
THE END

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