Março de 2017, Chicago-IL
Agora oficialmente já me despedi de tudo e quase todos. Chicago ficou para o final...
Meu ultimo final de semana nessa cidade que eu aprendi a amar. Não da pra acreditar, é engraçado esse sentimento, é um sentimento bom misturado com saudade antecipada; me lembra um pouco quando fui embora de Moscow ou de Mikonos, na Grécia.. O problema é que dessa vez, eu construí uma rotina de alguns anos, já tenho os meus restaurantes preferidos, aquele cantinho da cidade que a gente vai quando não ta legal, tenho amigos locais, e amigos que ficam por aqui o que faz a despedida ser mais difícil.
Claro que no este não e um momento de tristeza, eu ainda tinha mais 5 meses aqui antes de trocar de visto, mas senti no meu coração que era hora de voltar pra casa, e não da pra ignorar o coração...
Engraçado, me lembro da primeira vez que vim pra Chicago, na minha segunda semana nos EUA, a cidade estava lotada e muito, muito quente. Andei pelo Millennium Park, passei a tarde na beira do lago Michigan com a Lígia, minha amiga de anos e ex au pair da minha então atual família. Junto com a gente também estava a Ana, ex au pair de Chicago, atual tripulante da Royal Caribbean, que me disse que sem entender muito porque, toda vez que ela ve o skyline de Chicago, sente o coração bater mais forte, e eu, bem... Eu achei lindo, mas não senti essa conexão com a cidade, ate então...
E ai o tempo passou, Chicago era o meu refugio de todo final de semana. Muitas vezes eu fui ate downtown no meio da semana sozinha depois de ficar off só pra sentar a beira do lago Michigan e observar a vida passar... O dia que eu me apaixonei por Chicago foi em meio ao Outono de 2015.
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-Outubro de 2015-
Ontem, domingo, depois da festa maravilhosa de sábado, eu passei o dia andando por downtown... Fui até o Bean e caminhei as margens do lago Michigan, que já não tem o mesmo movimento do verão, nem a roda gigante do Navy Pier esta montada e claro, não tem mais ninguém usando o lago como praia, tomando sol ou dançando no barco.
De lá nós fomos andando pela cidade até chegarmos na Michigan Avenue Bridge, uma ponte que fica na frente do Trump Tower, um edifício de 96 andares entre tantos outros edifícios que fazem brilhar os olhos da gente. Engraçado é que eu me lembro de já ter passado por aqui mas não tinha sentido nem um por cento de tudo que veio a tona na minha cabeça enquanto eu torcia o pescoço para olhar tudo, da água ao topo. Sinceramente, eu não sei explicar. Eu estou a algumas horas com o editor aberto procurando palavras para descrever como e porque foi ali naquele lugar em que eu senti pela primeira vez desde que eu cheguei, que eu estava no lugar onde eu deveria estar. Naquele momento, com aquelas bandeiras balançando no meio do arranha céu de Downtown refletido na água, eu senti amor e entendi que lar é onde o seu coração está, então tudo dependia de com quais olhos eu estava vendo as coisas ao meu redor.
Foi um balde de água fria, juro. Eu olhe pra Suelen, ela olhou pra mim e somente pelo olhar, nós chegamos a conclusão de que esse é nosso lugar preferido de Chicago.
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Nessa cidade eu fui muito, muito feliz! Me perdi nas linhas do metro, e quando eu mudei pra Chicago, morei em bairros não tao legais assim, mas conheci gente tão do bem, inclusive o Lucas, um ex tripulante que me ajudou imensamente nesse tempo que eu passei aqui. Em Chicago eu aprendi a não temer o inverno. Passei por dia que o frio era tanto que chegava a doer, mas aprendi a me vestir e ir viver a vida sem fazer cara feia mesmo que la fora esteja fazendo -20 graus. Também nesses dias de frio eu conheci a melhor sopa de broccoli and chease do Panera Bread... Vou sentir saudades! Aqui em Chicago eu fui para poucas mas muito divertidas noites de baladas, e aproveitei o verão como ninguém! Assisti o sol trocar de cor em meio aos prédios dessa cidade linda e plantei bananeira no SkyDeck. Aqui também eu aprendi a ser independente e cuidar de mim. Claro que a vida no navio e na Rússia foi uma escola boa, mas lá eu estava sempre cercada de pessoas, mas aqui no começo, foi uma selva de pedras ate pra pedir um lanche no subway e olha só pra mim hoje em dia, resolvendo encrenca de banco por telefone! Que orgulho! Aqui em Chicago eu conheci muito de mim mesma, me questionei um milhão de vezes sobre estar ou não no caminho certo, e aprendi a ouvir o meu coração então justamente por isso, estou de partida...
Eu sinto que esse lugar ainda me reserva alguma coisa. Talvez eu volte pra cá, talvez esse seja o meu lugar feliz no mundo onde a gente vai uma vez a cada dois anos e faz aquela foto de família... Talvez leve muito tempo ate eu conseguir voltar, a vida vai acontecendo, caminhos vão se abrindo e se fechando, tudo é muito imprevisível...
Para o meu ultimo final de semana, em meio ao quase final de inverno mas que ainda neva e faz um pouco de frio eu escolhi não fazer muito. Passei alguns minutos sentada no Millennium Park olhando o skyline refletido no Bean, depois caminhei por todas as minhas ruas preferidas, principalmente pela Michigan Avenue Brigde que foi onde Chicago ganhou meu coração. Ali eu apenas agradeci... Agradeci a cidade por ter me recebido tão bem e por ter me feito crescer tanto em tao pouco tempo, agradeci a Deus pela oportunidade de estar ali, de ter escolhido ficar e estar escolhendo ir embora, dei parabéns a mim mesma por ter encarado o desafio e feito escolhas que nem sempre foram as mias inteligentes, mas me levaram a um saldo muito mais positivo no final das contas, com uma historia linda para contar no futuro.
Dali, voltei pra casa para terminar a mala que ainda é um enigma como levar dois anos dentro de duas malas de 32 quilos e aqui estou, naquela luta de todas as vezes tentando colocar São Paulo dentro de Serra Negra...
Continua...








































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