Concluído o meu ano de Au Pair, eu precisava fazer um post falando sobre a minha host family, então esse post vai para todas as meninas que dizem não existir host family boa.
Eu sou uma pessoa, agora -ex au pair- que viveu com a mesma host family durante o programa todo e não tenho NADA a reclamar dos meus host quanto a conduta de ambos comigo ou a forma como me tratavam.
Eu cheguei nessa família através de uma amiga de infância. Ela me indicou e fizemos o primeiro skype. Eu com meu inglês enferrujado fiz poucas perguntas e ela, não me perguntou exatamente nada. O skype foi apenas com a fofa. Não vi as crianças -que são ambos autistas-, não vi o fofo.
Ser au pair pra mim era um sonho antigo, foi o meu primeiro sonho, mas muitas outras coisas aconteceram antes e na época do skype eu estava morando na Rússia, onde os meus hosts haviam passado ferias uma vez na vida e conversamos mais sobre isso do que sobre outras coisas durante o processo...
A minha amiga me alertou sobre as crianças, mas disse que era muito tranquilo e que o quarto era grandão, que Chicago era tudo de bom na vida. Acredito que por ela me conhecer e saber que eu não sou fresca, não achou importante me contar que a casa era MUITO bagunçada e que eles eram acumuladores.
Uma vez, eu e essa minha amiga trabalhávamos em um hotel na cidade de Socorro e moramos juntas, eu e ela num barraco no meio do mato que dava direto pra estrada. Nossa casa era gigante e tinha 6 camas para duas pessoas e muitas fantasias e materiais de trabalho (falando assim parece que fazíamos programa hahah, mas não, éramos recortadoras). Ela sabia que eu era easygoing e que eu procuro focar sempre no lado bom da coisa.
Sem muitas delongas fechei com a família e depois disso fui atras da APIA, já que meu processo por eu já ter família, pulava a parte da Experimento no Brasil. Eu apenas fui ate eles para pegar o kit de embarque mas TOOOOODO o processo foi feito a distancia.
Cheguei no aeroporto e eles estavam me esperando. Minhas duas crianças de 9 e 11 anos, estavam me esperando com um cartaz. Todos foram muito solícitos e ter a minha amiga ali foi uma ajuda e tanto.
Quando abriram a porta da sala eu quase cai pra trás, nem em loja de brinquedo tinha tanto brinquedo e peças espalhadas pelo chão. Pensei: Que que eu to fazendo aqui? Respirei fundo e fui para o meu quarto. O quarto sem luxo, duas camas, colchões para receber amigos, um closet enorme, um quarto enorme, ok.
A relação com as crianças era muito fácil. Eles são muito educados, e normalmente obedecem. Eles, sendo autistas, tinham suas adversidades, os dias difíceis, mas NUNCA em momento NENHUM, foram sem educação. Eles as vezes choravam sem motivo, não queriam fazer o homework, e falavam MUITO as vezes coisas sem muito sentido mas que com o tempo passou a fazer sentido pra mim quando eu entendi o universo em que eles viviam. La em casa, quanto as crianças, era tudo muito regrado, regra essa que eles mesmos criavam e eu só seguia o bonde.Acordava as 6:30, as vezes as 7. Normalmente as crianças já estavam na mesa tomando café. Depois do café, o menino se arrumava sozinho, e a menina eu a ensinei a se trocar e ate secar o próprio cabelo, então eu só ajudava quando ela fazia algum penteado muito mirabolante, mas normalmente deixava ir assim mesmo, ela tem muita personalidade e sabia o que queria. Metodicamente as 8:03 sentávamos no sofá. As 8:10 colocávamos os casacos e sapatos e ficamos na porta esperando a hora de abrir.
As 8:15 saiamos para esperar o ônibus que logo passava.

E ai eles iam para a escola e eu estava freeeeeeeeee ate a tarde. Rara as vezes em que eu precisava leva-los a escola, o que não era nem um pouco ruim, já que eu amava dirigir.
Vez ou outra eles tinham alguma outra atividade, então eu os levava e depois ia buscar.


Dali os hosts já estavam trabalhando, eu não os via ate de tarde. Quando as kids chegavam por volta das 16:30, eu já deixava preparado um snack, coisa rápida, a mesma coisa todos os dias porque assim eles queriam. Junto com eles também chegava a terapeuta, Kath, um amor que se tornou minha amiga confidente e conselheira que me ajudou a entender muito sobre as crianças. Depois do snack, uma criança ficava com a terapeuta e a outra ficava comigo brincando no basement ate a fofa chegar, por volta das 17:15, 17:30 não mais que isso. E FIM!!
Claro que no verão, eu ficava o dia todo com as crianças, mas era muito leve, eles iam comigo resolver alguma coisa que eu precisasse e assim vamos ate a tarde quando os pais chegavam.

Minha relação com os meus fofos sempre foi de muito respeito. Nunca trabalhei em finais de semana, como combinado e uma vez, quando por motivos de saúde precisaram de mim num sábado, queria me pagar extra, mesmo eu não trabalhando nem 20 horas por semana... Nunca fiz laudry das crianças, eles aprenderam a fazer a própria laudry, o menino principalmente.
Todos os dias eles perguntavam se eu ia jantar em casa mas normalmente eu comia fora porque ia para a academia e fazia minha própria dieta. Isso nunca foi um problema pra eles. Sempre convidavam meus amigos para jantar em casa, mesmo sendo uma família que não é tao aberta a visitas deles mesmos. Acolheram uma amiga que passou por problemas com a sua host family, receberam meu amigo do brasil por uma semana. Receberam meu namorado por alguns dias, vibraram com a noticia do noivado, nos levaram a uma viagem em família e pagaram um quarto pra nós dois. Diziam o tempo todo durante a viagem que eu não precisava ajudar com as crianças, que eu estava de passeando e não precisava acompanha-la ao banheiro, por ex, mesmo eu fazendo questão.

Meus hosts foram do jeitinho deles, a minha família longe de casa. Pessoas que entenderam quando eu recebi uma multa, quando bateram no meu carro. Que só porque uma vez eu disse que gostava de Nutela mas que era caro no brasil, compraram Nutela durante o programa todo, mesmo eu já não comendo mais doce.

Uma família que me deu total liberdade para ser quem eu sou, para ficar o dia todo trancada no quarto, ou ficar com eles na sala falando nada com nada e vendo desenho das crianças (sempre). Uma família que me tratou com respeito, com amor, como ser humano, que perguntava como estavam os meus pais, que me contaram historias de suas viagens pela Rússia e achavam o máximo termos tido essa experiência em comum.
Concluo esse post dizendo que existe muita família ruim sim, mas a minha, que não tinha luxo, nem carro do ano, me deu o que eu precisava durante o intercâmbio: Respeito e reconhecimento. Eu gostaria que todas as meninas tivessem a chance de ter uma host family como a minha, ou uma amiga de coração bom que indicasse uma host family boa. A minha foi uma benção que em ensinou muito sobre amor e eu serei, eternamente grata de todo o meu coração!
| a ex au pair, minha amiga,eu e a família! |
See you <3
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