"Depende do que você considera ser uma pessoa fria" Essa seria a melhor resposta.
Moscow- Rússia, janeiro de 2015
Eu não consigo lembrar a ultima vez que fui tão bem recebida como no fim de semana passado. Todas aquelas pessoas fazendo de tudo para me agradar, me emprestando roupas, perguntando sobre o Brasil e se esforçando para que eu me sentisse em casa.![]() |
| Faltando Nikita, que estava tirando a foto! |
Eu sou de cidade do interior, onde todo mundo conhece todo mundo e as vezes eu sinto de falta de falar bom dia para o vizinho, e trocar figurinhas com um desconhecido no ônibus, coisa que aqui raramente acontece. Mas não posso negar que ainda acho no minimo constrangedor não saber ao certo como cumprimentar as pessoas ao conhecer alguem, gente nunca sabe o que fazer, ai fica naquela dancinha entre aperto de mãos ou beijo no rosto. O que vocês acham que é aqui? Beijo é que não é… com toda certeza do mundo, mas as vezes nem o tal aperto de mãos rola, eles dão um oi com a cabeça e um sorrisinho amarelo de canto. São situações e situações. Todo mundo me questiona sobre o que é que eu vim fazer aqui, e quem lê o blog sabe bem a resposta e talvez se eu não tivesse me enroscado com o Anton, nunca teria me interessado em vir pra cá justamente pela fama que o pais tem de não-receptividade.
Mas vamos parar para pensar, quantas vezes eu sou julgada por não saber sambar ou não ser bronzeada como as pessoas esperam que eu seja? Sem contar no ar de surpresa que vejo na cara das pessoas quando digo que sou do Brasil. BRASILLL? Todo mundo diz, com essa mesma intonação com que eu escrevi. Isso quando não vem com um "ohhh, sooo hot" no final. Tenho certeza que o estereótipo do nosso pais também não descreve 100% a pessoa que você é!
Pessoas são diferentes, não da para generalizar, isso é fato! Esse ultimo ano veio me provando isso. Eu fiz amigos filipinos lindos no navio, enquanto eu achava que todos eles eram robôs loucos por dinheiro e dispostos a passar por cima de qualquer um para conseguir uma promoção, sim, maior parte deles são, mas não todos. Eu tenho amigos indianos que matariam por um pedaço de frango mas que me deram o mesmo quando eu estava com fome e o crewmess estava fechado. Eu me encantei com os vietnamitas mesmo sem entender nada do inglês que eles falam e fiquei amiga do indonesiano da dish wash que todo os dias de Bambini me fazia companhia tomando sorvete escondidos atrás da estante de pratos, então porque com os russos seria diferente? Não tem que ser. O primeiro russo da minha vida foi o cara mais incrível que eu já conheci ate hoje, que me trata como uma princesa e corre moscow inteiro para comprar pastel e coca cola pra mim.
Quando a gente entra em lojas, normamlente nunca tem um meio termo. Ou a pessoa cola em voce, ou fecha a cara e faz figas pra você ir embora logo, to certa ou to errada? Pois ontem quando entrei nessa loja de bugigangas (bugigangas muito caras por sinal --') fomos maravilhosamente bem recebidos!

Esse cara da foto me disse boa noite em pelo menos uns 5 idiomas ate acertar o meu! Ele não fala português, mas fala espanhol e inglês muito bem, sempre com esse sorrisão no rosto, aquele tipo de pessoa que faz qualquer ambiente ficar agradável sabe? Então, é disso que eu to falando!
Eu venho aprendendo a ter empatia por culturas diferentes da minha, a entender que alguns estereótipos como o "calor latino" (afetividade, contato físico) são verdadeiros sim mas por outro lado sigo vendo cada vez mais que no fundo somos todos bem parecidos, de um canto ao outro do mundo. O mais interessante que toda essa minha jornada vem me trazendo é ler um alguma coisa sobre a Rússia, Itália, Colômbia, Grécia, Croácia, Argentina, Portugal, Espanha, Filipinas ou Índia entre tantos outros lugares por exemplo e não ter uma ideia abstrata do país e das pessoas e sim uma ideia daquele meu amigo querido que me contou em primeira pessoa sobre pedaços da sua realidade, do sorriso sincero que um desconhecido me deu no metrô (se sorrirem para você aqui, acredite, foi de coração) do policial que me ajudou quando estava completamente perdida, desse cara da foto que me atendeu super bem e me fez sentir confortável em uma loja onde eu muito provavelmente não ia comprar nada, e das milhões de pessoas maravilhosas que entraram na minha vida mesmo que por um curto espaço de tempo e me mudaram completamente como pessoa. A todas essas pessoas eu deixo o meu muito obrigada por terem me ensinado a ser um alguém melhor! E vamos continuando que esse mundo é muito grande e eu ainda tenho muito o que aprender sobre a Rússia e tantos outros lugares que eu ainda quero chegar!
Ahh, da um play nesse video aqui em baixo:
Nem mesmo os lugares mais bonitos teriam algum valor sem as pessoas que o compõem.
Пока Пока

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