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AMERICAN LIFE: #45 Recebendo pessoas na casa da HF/ Indignação.

Grayslake-IL, Dezembro de 2015

Esse post nada mais é que a minha indignação pela falta de amor ao proximo, pela falta de cultura, de noção e de respeito.

Que assunto complicado, tanto que eu nem sei direito por onde começar,

Morar com uma família que não é a sua já te quebra as pernas de fazer um monte de coisas. Por mais liberal que eles possam ser, não é a sua casa.
Eu de verdade sinto que tenho total liberdade aqui onde eu moro, para ir e vir sem ter que dar muitas satisfações, mas ainda sim, sempre aviso quando vou dormir fora, ou trazer alguém em casa. Aqui eles são uns amores, e deixaram claro desde que eu cheguei que o meu quarto tem uma cama extra justamente pra eu poder receber pessoas e estão sempre convidando os meus amigos para jantar aqui...

Bom, quando você mora em outro pais, alem das pessoas pedindo iphone, também chove de gente pedindo abrigo:D. Sim, mas sabe, tirando os sem noção que eu vi uma vez na vida, eu receberia todos os meus amigos de coração, SE A CASA FOSSE MINHA.

No entanto como eles são super legais em relação a tudo isso e disseram sim mais que depressa quando eu amigo meu decidiu vir pra cá e precisa de um canto pra ficar uns dias. Tudo lindo, tudo maravilha até que eu descobri da pior forma possível que:

Você não conhece as pessoas, você conhece a parte que elas permitem que você veja.

Vamos chamar esse meu amigo de João (nome fake).

Eu trabalho com duas crianças autistas mas SUPER SOCIÁVEIS. Eles tem as manias deles, mas falam umas coisas muito mais interessantes que muita gente por ai, e logo que João chegou em casa, foi recebido com um milhão de perguntas, coisa que eles fazem com TODO mundo, inclusive comigo até hoje. João sabia que as crianças eram especiais, e também sabia desde sempre que a casa era um tanto quanto bagunçada.
Quando João chegou, já era começo de inverno e já estávamos abaixo de zero, e claro, ele não tinha um casaco apropriado pra isso. Dai, meu hosto ofereceu um casaco dele, mas João não conseguiu nem ao menos agradecer devidamente.
João também reclamou que os copos não estavam limpos pro gosto dele e que não queria comer McDonalds outra vez (McDonalds PAGO PELA MINHA HOST FAMILY). Engraçado porque João não pagou nem um centavo se quer,  mas por algum motivo se achou no direito de reclamar de todas essas coisas.

João reclamou do Frio, dos dedos "congelando", do porque eu sempre comia dólar menu. E ai eu achei engraçado sabe, que pelos planos que João estava me contando, era melhor ele aprender a comer dólar menu também.

Eu como uma pessoa calma que eu tento ser, relevei tudo isso até o dia que, estávamos voltando de um bar, quando entramos em casa, eu, João e uma outra amiga, e nos assustamos com um balão que estava no meio da sala. Balão esse que segundo João, A RETARDADA DA MINHA HOST KID fica brincando.

Eu juro  que eu não sei expressar o sentimento ruim que tomou conta de mim enquanto eu o ouvia vomitar essas palavras com cara de cinismo.
Vocês conseguem ver o quão isso doí de se ouvir?! Porque sabe, por mais merda que a gente acabe falando as vezes, como que esse ser tem a coragem de dentro da casa deles, comendo a comida deles, chamar a menina de retardada? Sendo que de retardada ela não tem exatamente nada.

Normalmente eu teria dado uma resposta daquelas, mas ao contrario disso, eu ao invés de ficar muito puta, eu fiquei extremamente chateada com a falta de amor ao próximo e em seguida senti pena ao ver que uma pessoa que já teve tantas experiências legais quanto eu, não conseguiu evoluir nem um por cento.

Ta bom né?! Não, não estava.
No dia seguinte, logo de manhã, estava conversando com a minha amiga que mora aqui em Chicago e estava dormindo em casa sobre ser muito legal da parte da minha HF abrir a casa deles para receber pessoas, e ai, João, que estava quieto mexendo no celular, resolveu se manifestar dizendo que "eles gostam de receber pessoas para se sentirem normais".

Aquele tal negocio de perder a oportunidade de ficar quieto sabem?

Obviamente eu não consegui ficar quieta e fazer de conta que defecar pela boca daquele jeito fosse normal, porque venhamos e convenhamos, se tem alguém que não era "normal" ali, esse alguém só poderia ser João.

A reposta dele: Um "ops, desculpa" bem sem vergonha, com cara de quem só estava pedindo desculpas para não ser mandado embora de casa com -5 lá fora. E realmente, só ficou porque eu não teria cara para explicar pros meus hosts os absurdos que me levaram a tomar uma decisão assim.

Durante os dois dias seguintes, João ficou trancado no quarto mexendo no celular enquanto eu estava "trabalhando", sendo que o meu trabalho é apenas ficar com eles vendo televisão, jogando vídeo game. João também evitou conversar com todos, e no único dia em que jantamos com a família, ele mal abriu a boca. Na hora de ir embora, minha hosta o abraçou e ele retribuiu daquele jeito... As crianças disseram que iam sentir saudades dele, mas ele disse que a menina não precisava se levantar para dizer tchau, e foi-se embora.

Eu fiquei em casa, tentando digerir tudo isso... Porque ele sempre foi tão meu amigo, como é que eu não percebi esse lado tão desumano? E olha que eu tenho um feelling muito bom para pessoas,  mas dessa vez eu sinto que errei feio.

Em casa eu contornei a situação e fiz todos acreditarem que ele é apenas tímido, porque obviamente eles perceberam que alguma coisa não estava ok.

De tudo isso, eu vejo que quanto mais eu conheço os seres humanos, mais  amo os animais. De verdade, eu sou tão seletiva com as minhas amizades, e já fazia muito muito tempo que eu não batia de frente com uma energia tão ruim. Fiquei mega chateada pelas besteiras que eu fui obrigada a ouvir, e puta da vida comigo por não ter percebido o quão fútil era João.

Então tá, se eu puder te dar um conselho pra você que esta pensando em receber pessoas na casa da host family de vocês, sendo outras au pairs ou amigos no geral, é: Pense duas, até dez vezes. Hoje só dou a minha cara para pedir pra alguém vir pra cá se for alguém da família, e família eu digo aquela parte bem pequena que mora comigo e fim.  

Isso serve também para algumas pessoas que nós tempos de hoje ainda conseguem dizer umas idiotices como essa. Quando a gente não tem capacidade mental de conviver com outras culturas, a gente fica bem quietinho na casa da gente, cercado de pessoas que são geneticamente obrigadas a nos amar. 

Foi um erro meu talvez, ma também não tinha mesmo como saber e bem, serviu de lição para que que nunca mais aconteça, porque vou te falar....

Se fosse na minha casa! Ahhh, meu amor, se fosse na minha casa ia embora no mesmo segundo, fosse a hora que fosse, no frio que tivesse, para aprender que na verdade, ser retardado é viver a vida conhecendo pessoas de todos os lugares do mundo e não conseguir aprender que bonito mesmo é ser diferente. Um sentimento de pena resume. 


See you!
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