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TAG: Vida de Snack #6 Primeiro dia a bordo

Antes de começar o post quero desejar um ótimo embarque para essa galera que esta indo agora e em especial para a Carol Santana que está indo para o Diadema. Guriaaa, bom embarque e ótimo contrato pra ti, que você seja muito muito muito feliz, que tenha experiências incríveis e que volte no fim do contrato para nos contar como foi! E muito obrigada por ter lido o blog durante esse tempo todo e acompanhado a minhas historias, fico super feliz de ter te incentivado de alguma forma!
Sucesso é a palavra!

Então vamos lá: Como vai ser o meu primeiro dia a bordo?

Pergunta difícil, e eu diria até que quase sem resposta porque a minha experiência nunca vai ser igual a sua, mas vou contar com detalhes como foi o meu primeiro dia a bordo e a chegada no buffet para que você tenha uma ideia de como TALVEZ possa ser o seu, fecho?
Já aviso, o post ficou longo, sou detalhista, desculpe :(


Naquela noite anterior ao dia 08 de fevereiro de 2014 eu praticamente não dormi. Eu me despedi dos meus pais, avó, cachorro e papagaio e peguei o onibus me afogando nas minhas próprias lagrimas, sai de Serra Negra e encontrei em São Paulo com um amigo que também embarcaria no mesmo dia como snack e fomos para Santos onde nós passamos a noite na casa de um amigo. Eu, minhas duas malas e minhas muitas duvidas.
Nós deveríamos estar no porto as 09 da manhã então saímos bem cedo e fomos de taxi até lá. Sabe aquelas cenas de filme que a mocinha do interior pisa pra fora do carro já olhando deslumbrada para o novo mundo da cidade grande? Então, foi o que eu vi, uma cidade grande, tão grande que eu quase não acreditei.

Agora pausa - Você, que já é marinheiro de um ou tantos contratos, se lembra do seu primeiro dia a bordo? Do primeiro dia que viu o navio? Você se lembra do que passou pela sua cabeça quando estava de frente para ele pela primeira vez? Eu lembro... Eu lembro que eu cheguei a pensar que aquilo era a "coisa" mais bonita que os meus olhos já haviam visto, e a mais assustadora também, porque a partir do momento que eu cruzasse aquela gangway não fazia ideia do que iria acontecer.

Porto lotado, MUITA gente embarcando naquele dia, muitos, muitos filipinos e um sol de raxar. Logo que nós chegamos já entregamos as malas e ficamos só com os documentos nas mãos. Enquanto eu estava esperando, uma menina de rosto familiar apareceu e me abraçou muito forte - Não acredito que você está aqui, que bom que você conseguiu vir para o Fascinosa -  e embora eu não me lembrasse dela fiquei feliz em saber que já tinha uma amiga lá dentro.  (E foi mesmo, a Day, que chorou e sorriu comigo, do meu embarque ao meu desembarque)

 Fomos chamados por volta das 11 e pouco e nos entregaram um crachá de "embarque". Agora sim de frente para o navio tirei uma foto, mandei para a minha mãe e passei pela gangway, pronto, o sinal do celular morreu imediatamente como se "naquela dimensão", comunicação fosse coisa de outro mundo.

De lá nós entramos em uma salinha e o safety (Salvatore) começou a cuspir palavras em italianglês que, claro, eu não entendi porra nenhuma. Na janelinha dessa sala eu vi a Bruna que eu já conhecia lá dos cursos nos dando tchauzinho. Ver pessoas conhecidas no meio daquele monte de olhos puxados ia me acalmando aos poucos. Nessa sala nós entregamos a documentação, STCW e a porra toda. NÃO ESQUEÇAM NADA. Também pegamos o nametag e a chave da cabine e fomos orientados a ir pegar nossa roupa de cama e uniforme em um lugar que ficava um deck abaixo.

Eu fui seguindo o fluxo, tudo me parecia exatamente igual, como se estivéssemos sempre na mesma sala, no mesmo andar. As roupas de cama estavam em um saco de lixo preto dentro de um  trolley. Um por um íamos entrando em uma sala com uma indiano que era responsável por nos dar nosso uniforme. Ele não era simpático, nem antipático, era como se ele não estivesse ali. Ele nos media dos pés a cabeça e já pegava o tamanho que achava que servia, e não é que sempre acertava? Só perguntava o tamanho dos sapatos.

Eu não sei se havia, mas depois disso eu não vi mais ninguém "direcionando" as pessoas. Ninguém me disse o que fazer, mas vi uma galera pegando as malas que estavam amontoadas no que parecia ser o centro daquele corredor e deduzi que talvez fosse a hora de pegar a minha.

Pronto, agora eu estava em um imenso corredor branco cheios de portas e escadas que pareciam sempre trocar de lugar com um saco preto nas costas, um monte de uniformes pendurados em mim e duas malas gigantes SEM SABER AONDE IR. A minha cabine era A873 e obvio eu não fazia ideia de onde ficava isso. Sai perguntando pra todo mundo e as pessoas diziam que ficava na cambuza. Ahhhhhh, sei, a cambuza. Claro que eu sei onde é, eu até tenho uma dessa na minha casa.

Perguntei para um monte de gente e ninguém sabia dizer, até que encontrei com o Mario, cook brasileiro que tinha embarcado naquele dia também que resolveu fazer uma pra Deus ver e me ajudou a procurar. Nós descemos e subimos escadas e nada de achar aquela cabine, até que lá no fim, na ultima seção, a ultima cabine, super escondida, depois da tal da cambuza ficava a bendita A873.

Abri a porta e dei de cara com uma menina de olhos puxados vestida de branco, me apresentei, ela se apresentou e eu não entendi nem o nome, nem o pais e passei uns dias achando que a filipina era indonesiana. A cabine era assustadoramente pequena e cheia de badulaques dela. Claro que eu sabia que a minha cama era a de cima. As minhas duas malas no centro da cabine ocupavam todo o pouco espaço.

A minha cabinmate estava com o colete salva vidas na mão e um livro vermelho e logo saiu as pressas da cabine quando ouviu o sinal do Drill, mas antes me disse que eu deveria colocar o uniforme e ir trabalhar o mais rapido possivel.

Ok, e que roupa vai por baixo e que roupa vai por cima? Que uniforme eu coloco? Na real eu achei que estava mega atrasada e que as outras pessoas estavam fazendo alguma coisa importante que eu também deveria estar fazendo mas não estava porque não entendi que deveria estar, entendeu? Sai sem meia calça, com a saia e a camisa cinza gigante por cima de tudo, o cabelo embolado num coque e fui na esperança de ver alguém conhecido que me desse uma luz. Cruzando o deck zero eu passei centro do navio e me senti um frango de padaria comida pelos olhos daqueles homens de macacãp azul, e olha que eu estava de dar dó. Achei o grupo na frente de uma sala esperando para o treinamento. Legal que eu nem sabia disso, tipo, eu faltei na parte que eles contaram sobre aquilo ou eles não contaram? E se eles não contaram como que essa gente toda adivinhou?

De primeiro momento ele nos deu o nosso booklet vermelho, e nos falou sobre o drill e nosso número, o meu era 589. Esse numero ia ser para tudo, chamadas, drill, ver alguma coisa no quadro...
Ele falou falou falou e eu não entendi quase nada e depois fomos para passear pelo navio. Andamos de uma ponta a outra e me parecia sempre que estávamos andando no mesmo lugar, subimos para a area de passageiro e tudo ficou mais "normal". Ele foi mostrando nossas posições no Drill e o que nós deveríamos fazer. Quando ele chegou na minha vez me disse que íamos no final para ele me mostrar a minha que ia ser separada do resto do grupo, tipo, Oi?

Algumas expressçoes como drill, capo, duty, mamagaio, babaloo, taka taka, saboneta e outras eu já conhecia porque li bastante antes de embarcar. Não chegue totalmente desinformado!
Nós subimos até o deck 7 e ele me mostrou que no Drill eu teria que ficar na frente do elevador impedindo as pessoas de passar e só, ai ele perguntou: Sabe voltar a partir daqui? Eu, burra, respondi que sim. E nem preciso dizer que eu não fazia a menos ideia né?

Fui descendo sem nem saber para onde e cheguei no hospício, ops, quer dizer, no deck 0. No corredor encontrei com o Cleber e fomos almoçar, porque já era a tarde eu não tinha comido nada até então.
A minha primeira impressão do crewmess não foi das piores. Não tinha muita fila, nem muita gente comendo, parecia que tinha bastante opção, mas só tinha "arroz filipino" e eu tonta, comi. Comi e fiz cara feia porque ôh negocio ruim e sem gosto, mas engoli e essa frase ficou meio pornografica mas ok. Tomei um suco de laranja que estava até bebível.  Enquanto eu comia vi que já estávamos em alto mar e que legal, nem senti o navio saindo, nem fiquei mareada! Estávamos entrando em dois dias de navegação rumo a Buenos Aires.

Eu tinha a impressão que já estava ali a mais de um dia. Aquele primeiro momento foi muito confuso e intenso e eu mal sabia que assim seria o resto do contrato.
Depois dali era a hora de ir trabalhar. Encontramos com o Ro, que tinha embarcado comigo e fomos para a minha cabine porque eu não podia trabalhar com as pernas de fora. O Cleber nos levou até o deck 9 onde era o buffet e nos "apresentou" para o Rick que nos levou até a Janice que lançou um OI - BOA NOITCHI em português e começou a tagarelar um milhões de informações sobe o buffet. Nós fizemos um tour pelo buffet e eu juro por tudo que é mais sagrado que parecia que estávamos sempre no mesmo restaurante, mas ela dizia: Aqui  pizzaria, aqui corner line, aqui main line, aqui  back pool, aqui central pool, aqui bla-blá-blá. E quando nós entramos dentro da galley me senti em um labirinto. (E sim, eu levei MESES para acertar a porta e o lado que eu queria sair)

Eu me lembro perfeitamente das palavras dela:_OOOOK, Este TRAPO - Pega trapo - LIMPA MESA - GO!
O buffet estava lotada, em plena bratta de um dia de embarque em Santos. Tudo estava muito confuso. Se todas aquelas pessoas eram snacks, porque elas faziam coisas diferentes?
Eu NUNCA na vida, tinha segurado uma bandeja, e não, ninguém me ensinou como fazer. Eu via as pessoas passando com as bandejas equilibradas no ombro e eu não tinha ideia de como faze-lo embora aquilo me parecesse muito mais fácil. Limpei a primeira mesa, com um "trapo" amarelo na mão e uma bandeja na outra, meio sem jeito, sem saber como organizar os pratos ou onde juntar a comida. A bandeja com 3 pratos parecia absurdamente pesada e a levei segurando nas mãos até um trolley que ficava próximo a estação que eu estava. Tinha um piano tocando no fundo, a impressão era de uma cena de um filme psicodélico. Eu ainda não estava situada a tudo aquilo. aquele piano maldito (que mal sabia eu, continuaria odiando pelos próximos 8 meses) pessoas falando alto, talheres riscando os pratos e pessoas trabalhando feito robôs. Eles nunca paravam.
Haviam muitos brasileiros, alias, todos os snacks eram brasileiros,

e a primeira com quem eu conversei foi uma menina loira com olheiras do tamanho do navio quedisse já ter dois contratos e que o trabalho era simples e rotineiro, ela parecia simpática e esnobe ao mesmo tempo, sem paciência para "primeiros embarques". Uma outra menina encostava na estação de cinco em cinco minutos e mesmo estando completamente perdida, já identifiquei a que "classe" ela se encaixava: Mamagaios! Ela me disse que não aguentava mais e logo ia para casa, e fez questão de enfatizar que tinha muita dor nas costas e passava sempre pelo medico, mas que ele não resolvia nada, obviamente eu não podia discordar porque não sabia o que vinha pela frente, e claro, de primeiro momento aquilo parecia sim assustador  e ela me disse com todas as letras que não me dava uma semana para estar igual a ela.
Aquela noite foi interminável e eu não fazia ideia de que horas eram e até que horas eu deveria ficar alí. Foi aquilo que eu fiz no primeiro dia, fiquei andando feito barata tonta, sem saber aonde exatamente eu deveria limpar, e sem saber como limpar. Em torno de 22:00 os snacks começaram a desaparecer, mas o movimento continuava do mesmo jeito. Essa gente nunca para de comer é?

Essa é a tal da Camila, que algumtempo depois desse primeiro
 contato se tornou minha amiga/irmã.
Depois a Janice me mandou procurar a "Camila" e ajudar no que ela estivesse fazendo. Saí perguntando para o povo quem era Camila e depois de ficar rodando dentro daquela galley achei a tal da menina. Uma loira super hiper mega maquiada, com o cabelo impecável e o batom rosa brilhante. Eu falei oi, falei que tinha embarcado aquele dia e ela me disse para ir colocar os sorvetes no pote enquanto me contava que tinha 3 contratos como snack, e quando eu questionei o porque ela não mudava de posição ela disse que não sabia ao certo, mas que esse era o ultimo, com toda certeza, mesmo que para todos os outros ela já havia dito o mesmo.
Eu não consegui dizer se ela era legal ou não, mas me identiquei porque embora a cara fosse de cansada como todos os outros, no minimo vaidosa ela parecia ser.

Durante esse tempo no buffet eu senti o barco começar a balançar, mas nada forte, era como se eu estivesse levemente bêbada, ou tendo uma tontura. As outras pessoas pareciam não sentir.

Em seguida a Janice nos procurou e me disse que eu JÁ estava off. JÁ? Nossa,porque né? São só 00:00 e eu estava gostando tanto de ficar ali --'. Sim, eu estava off mas deveria voltar as 06:00 (ou 06:30, não entendi direito) da manhã. enquanto o Rodolfo também estava off mas deveria voltar em duas horas para trabalhar no time da madrugada.
Cheguei na minha cabine e a minha filipina já estava deitada, com a cortina fechada e a luz apagada. Entrei tentando fazer o minimo de barulho. Liguei a lanterna do celular. Abri a mala e peguei a primeira roupa que achei e liguei para o Cleber que foi "me buscar" na minha cabine. Ele me levou para ver a academia e eu super me decepcionei, mas ok, pior se não tivesse.

 De lá nós fomos para o Crewbar, só pra conhecer e tal. O negocio estava super animado e lotado.
Encontrei os outros amigos do  RFE e topei facil beber minha primeira cerveja a bordo, mas só uma ok? Porque afinal de contas, depois daquele dia like a jungle eu merecia né?
Sentada próxima a uma janela eu olhei para fora e me encantei um milhão de vezes com a mesma visão. Eu vi o marzão agitado batendo no casco do navio e fiquei paralisada imaginando quão longe de casa eu já estava, perdida no meio do oceano, com uma musica alta como trilha sonora, bebendo uma cerveja depois de ter trabalhado like a hell. (Mal sabia que essa cena se repetiria por tooooodos os dias enquanto durasse o meu contrato)
Tinha gente bonita, gente feia, gente dançando, gente dormindo no sofá, gente arrumada e gente de uniforme. Tinha uns casaisinhos mas não vi ninguem comendo ninguém em publico, como diziam que eu veria.
Fiquei não mais que meia hora porque no dia seguinte já haveria crewparty na piscina do deck 9, e claro, antes disso eu ainda tinha 4 horas e meia para dormir e começar a trabalhar.
Foto da tal festa que teve no dia seguinte.
Para subir na minha cabine foi uma vida, porque a escada que deveria estar ali era feita de cabine com varias bolsas da bonita pendurada. A escrivaninha não era do lado da cama, a cadeira estava quebrada e eu tive que me virar pra subir e ainda sem fazer barulho, porque a bela estava adormecida, mas com um olho aberto e o outro fechado, pronta para me xingar se eu respirasse alto.
Esse é um modelo de mansão a bordo, a minha além de estar cheia de badulaques, era pelo menos 5 vezes menor que isso.
Apaguei e acordei uma hora antes. Dois seculos para achar o uniforme e vestir aquilo certo, mais dois seculos para achar o buffet. Fui assinar a tal da lista e o capo já veio me questionando porque eu estava meia hora atrasada. Mas não eram nem 06:30 ainda... É, mas meu horário era as 06:00 e já comecei bem assim.  O navio estava balançando pra caramba e eu trabalhei das 06:30 as 11:30 limpando mesa e tentando colocar a bandeja no ombro. Depois me jogaram em uma estação de café e eu não parei um segundo se quer de repor copos e xícaras. Eu via pessoas comendo pelos cantos e me perguntei como eles faziam aquilo sem serem pegos? Eu tive 30 minutos de café da manha, e também conheci alguns outros capos. Eu não sabia identificar quem era quem, mas eram muitos, dando ordens diferentes ao mesmo tempo e na maior parte das vezes eu só entendia "hfukefnefmomfoefm glass jheifiofemiofm "E pegava todos os copos e esperava algum outro mandar fazer outra coisa enquanto eu fingia estar fazendo o que o anterior tinha mandado". Um dos meus chéfes rebolava mais que modelo na passarela e andava com uma caneta rosa gritante no bolso da camisa branca do uniforme.

O primeiro dia é assustado sim. E sinto te dizer, você vai ter que aprender tudo sozinho, mas não tenha medo de pedir ajuda, mesmo que a pessoa esteja com uma mega cara de **. Todo mundo que está ali, embora estejam saturados já passaram por um primeiro dia a bordo. Mas não pergunte tanto, crew de longa data tem tolerância zero para perguntas idiotas, vamos deixar isso para os passageiros ok? Eles já o fazem bem. Não chegue mamagaindo, folgando na de quem já está lá porque aí sim você será odiado, mas não deixe que te façam de tonto também. Saiba sempre que tudo pode ter um equilíbrio. Mais importante de tudo que você deve saber, não só para o primeiro dia mas para todo o contrato é que tudo passa. Qualquer coisa de ruim que você esteja sentindo, seja dor, medo, angustia, saudade, isso também vai passar, assim como as coisas boas passam, então se apegue em tudo que tem de legal ao seu redor. Não se esqueça das pessoas que você deixou em casa mas não fique apegado demais a elas e viva tudo que tiver para viver. Respeite as pessoas e seja humilde, mas não seja idiota. Aprenda, mesmo que o seu trabalho seja de limpar chão, qualquer experiencia na vida é valida. Seja otimista, não fique reclamando porque tudo, exatamente tudo que você emite para o universo volta diretamente para você, e isso você pode ter certeza. Seja paciente e faça amigos. Aprenda um novo idioma e aprenda palavras em Tagalo, porque não? Se apaixone e ria da própria desgraça. Se sinta o verdadeiro descobridor dos 7 mares e seja imensamnete feliz, de janeiro a janeiro, até o contrato acabar.

PS: Lembra que eu falei sobre a bandeja e que eu não nunca tinha pego uma na vida? Rá... Um cruzeiro e eu já estava desfilando pra lá e pra cá com a bandeja no ombro. 
Um cruzeiro e eu já estava totalmente abtuada e por dentro do trabalho e lembra da menina que disse que em uma semana eu estaria reclamando igual a ela????Virou figura conhecida, todo dia a mesma historia, dor nas costas, medico, blábláblá, desembarcou em alguns dias, porque né... Quem é mesmo que não ia aguentar?
E sobre comer sem ser visto? Isso é mais rapido ainda! Uns diazinhos e você já está craque, com direito a pizza na dish washer!
Bom, só não dá pra dizer que eu aprendi a andar no navio e no buffet porque isso levou bem mais que uma semana, mas depois de alguns dias já estava acordando 10 minutos antes de começar o duty, e depois 5 e depois 2... 

Comentem sobre o primeiro dia de você! Lembrando que agora está liberado comentários anônimos, antes eu viajei nas configurações:(
@harlyemielli \harlyemielli
Un bacio e un fornamaggio!

Proximo capitulo: Preciso de inglês para ser snack, preciso de ingles para trabalhar em navio?
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About Harlye Mielli

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10 comentários:

  1. Oi Harlye, li seu blog todo, sim todo, e tirei muitas dúvidas apesar de meu setor ser hk, embarco ano que vem pela MSC e penso em um segundo contrato pela Oceania, parabéns pelo blog. Se você for reembarcar, qual companhia?
    Filipe

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    1. Que amor, obrigada por ler!
      Então, eu voltaria para a Costa sem problema nenhum, só que quero outro departamento, e é bem complicadinho de mudar pela Costa então não sei.Vou tentar Royal ou NCL, mas também vou tentar bar na Costa, ainda não sei ao certo que cia, até porque ainda vai levar um tempo pra eu embarcar, mas com certeza eu volto pro mar:D
      Beijão

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  2. Eu não aguentei terminar de ler antes de comentar aqui ... Afinal ESTOU ME ACHANDO A FÃ NÚMERO 1 SUPER FAMOSAAAAA *----* hahahaha Sua linda, obrigada pelo carinho. Agora sim ... Xooo terminar de ler rs

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    1. Hahaha, Escrevi de coração mesmo, você sempre tá por aqui, lendo, comentando, ficamos amigas antes mesmo de nos conhecermos:)
      Beeijão

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  3. Nossa, o primeiro dia realmente é tenso.
    Parabéns,conseguiu segurar as bandejas!
    Eu queria ir como ass. waitress ( $), mas morro de medo de não aguentar as bandejas e passar vergonha, sabe?! rs
    Poxa,têm pessoas que falam q elas podem pesar até 25 quilos, mas eu sou baixinha e tenho nem 50 quilos ( no máximo que já alcancei foi 45) rs
    Já pensou que constrangimento eu n aguentar as bandejas ou pior ainda pegá-las e deixar cair?! hahahhaha
    Acho q vou mudar para camareira ou algo do tipo rs

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    1. Oi Alice,
      Olha, eu te digo que o peso e a altura na verdade não influenciam em muita coisa. Eu vi meninas super magrinhas carregando as bandejas numa boa. Claro que quando você chegar não vai saber como fazer e é como eu te disse, ninguem vai parar pra te ensinar mas eu me lembro que os ass quando chegavam de primeiro contrato faziam um treinamento no buffet antes.
      Isso, chegam a 25 kilos sim, e já derrubei tudo no chão, já vi gente despencando da escada rolante com a bandeja cheia, é normal, acontece com todo mundo que esta lá até a mais tempo. Você olha pra frente e segue seu caminho, rs;
      É uma coisa que voce se acostuma a fazer e com o tempo fica até facil, porém eu não gosto da vida do restaurante. Como camareira vai trabalhar bastante também viu, mas o salario dizem que é bom:D
      Boa sorte, um beijo!

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  4. Oi Harlye. To me recrutando para a Costa e nas minhas pesquisas vi algumas coisas negativas na area do snack na costa, li coisas bem negativas mesmo do tipo: Snack é furada, humilhações, trabalha o dobro e ganha bem menos e por ai vai. Afinal, é mesmo desumano assim ou da pra se levar de boa? Não espero nada fácil, não mesmo! Mas também não espero o fim do mundo né. Vou me arrepender? Outra coisa: se destacando (claro) na função, é possível ser promovido, la pelo segundo, terceiro contrato. Não pretendo ser snack pra sempre ne, salario muito baixo. Se rolar de ir subindo de cargo, já é algo que te incentiva e ajuda. Diz ai, como realmente é tudo isso na pratica. Abração!!

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    1. Oi Julio, então, essa é uma questão complicada, porque é a opnião de cada um né? O que é humilhação pra você? Limpar ralo é humilhação? esfregar o chão e limpar o teto? Passsar aspirador de pó?
      Em relação a Costa na minha humilde opnião as pessoas que falam mal ainda não entenderam que você faz o seu contrato. Se voce fizer tudo certo, respeitar as regras, cumprir os horarios não vai ter problemas. Eu nunca tive um "a" pra falar da Costa.
      Ser snack não é uma delicia, mas é um dos trabalhos mais faceis a bordo (estamos falando de crew ok?). Nos primeiros dias parece surreal, parece que o trabalho é muito e voce vai se sentir muito cansado mas como tempo voce pega o jeito e vai ver que tem coisa muito pior. Ganha pouco sim, mas trabalha pouco tambem.

      Promoção para Ass. Waiter vem facil no primeiro ou segundo contrato. O trainamento voce ja consegue começar no primeiro mes, ai logo vem a promotion! Facil facil!

      Se eu pudesse escolher claro que teria embarcado no bar ou em outra posição mas não mearrependo de ter ido de snack, essa gente que reclama é tudo braço mole que vai a bordo querendo vida boa, essa gente iria reclamar em qualquer posição, vai por mim!
      Sucesso, um beijo!

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    2. Certoo!! Bom ontem mesmo depois de te enviar a pergunta (no primeiro post que eu li no seu blog) eu dei uma Boa lida no resto também e vi que aqueles comentários eram muito exagerados e super de gente vadia. Limpar seja la o que for para mim não e humilhação, nem estar trabalhando muito a horas seguidas podre de cansado, carregando prato, limpando talher... Realmente não tenho nenhum problema com os os trabalhos que sei que vou fazer, na minha duvida o termo ~humilhação~ seria mais na preocupação do feed back que tu tem com os teus chefes, mais voltado pro sistema mais linha dura que eles cobram e etc. Mas a duvida ta sanada haha, o teu detalhismo nos textos ajudou bastante a eu ficar por dentro. Escreves muito bem! Parabéns e sucesso também. Abraço

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    3. Eu não vou te dizer que não vai ter um cara insuportavel que vai falar horrores pra ti, as vezes na frente de todo mundo, mas no mais, é só fazer as coisa certas e saber até que ponto vale a pena responder que tudo da certo! Sucesso para nós:D beijoos!

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